Marxismo, espiritismo e o tempo presente: porque "amar e mudar as coisas me interessam mais"

Atualizado: Jul 2

por Mônica Lanes



“Entre eles não havia ninguém necessitado,

pois todos os que possuíam terras ou vacas vendiam-nas,

traziam o produto da venda e depositavam-no

aos pés dos apóstolos. E a cada um era distribuído

de acordo com a sua necessidade.”

(Atos dos Apóstolos, 34:35)

“[...] o comunismo é simultaneamente a realização

do humanismo – apropriação da

essência humana pelo homem” (Netto, 2015, p. 90).


A conjuntura atual, que conjuga crise do capital e crise sanitária (o coronavírus é além de um produto do capitalismo, um amplificador de sua crise mais recente), contribuiu para explicitar a dinâmica de funcionamento de nossa sociedade de modo bem didático. Um exemplo claro é que até pouco tempo atrás era muito comum que os meios de comunicação e os ideólogos das classes dominantes afirmarem que grande parte dos trabalhadores é desnecessária para o processo produtivo, podendo ser substituídos por maquinários e novas tecnologias. Logo, os lucros que os capitalistas se apropriam, supostamente, não teriam origem no trabalho humano, mas da maquinaria e tecnologia.


Mas a realidade explicitou o contrário. O combate ao vírus exigiu como estratégia para não propagação o isolamento físico, incluindo, obviamente, os trabalhadores. Entretanto, quando isso foi feito os donos do processo produtivo, em todo mundo, tensionaram o quanto puderam para flexibilizar as regras de isolamento social dos trabalhadores, em favor das grandes empresas, pois, segundo eles, caso o isolamento se mantivesse as economias iriam quebrar, explicitando, assim, que a origem do lucro do patrão está nos braços e mentes dos trabalhadores.


Esse é apenas um dos elementos. Poderíamos citar ainda que nesse contexto a sociedade, para a continuidade da reprodução de vida, precisa de determinados insumos e produtos (alimentos, remédios, utensílios de segurança de saúde e outros), requisitando uma reorganização da produção (reconversão da produção) para atender à demanda urgente da coletividade para assegurar a sobrevivência do maior número possível de pessoas. Mas, a resposta, de um modo geral, não foi essa, uma vez que o objetivo da produção capitalista é o lucro e não a produção para a satisfação das reais necessidades para a reprodução da vida. Além disso há outras questões igualmente urgentes que foram explicitadas nessa conjuntura, tais como os impactos da privatização da saúde, da educação; bem como os impactos da destruição dos direitos trabalhistas, com a crescente uberização do trabalho. Esses elementos deixaram os trabalhadores ainda mais fragilizados para enfrentar as consequências que a pandemia nos colocou.


Essa breve contextualização tem o objetivo de reforçar que a teoria social marxista já descreveu, e há bastante tempo, as categorias e mediações que nos permitem não só conhecer como nossa sociedade está organizada, bem como pensar estratégias para sua superação [1]. Foi partindo dela que pensamos as questões apresentadas acima.


Entendemos, desse modo, que o pensamento marxista é um importante aporte teórico, filosófico e político para pensar nossa realidade, que no caso brasileiro inclui ainda o aprofundamento dos elementos da contrarrevolução preventiva permanente, nos termos de Fernandes (2005). No entanto, entre nós espíritas, mas não só entre nós, a teoria social crítica ainda hoje encontra dificuldades rudimentares em sua apropriação [2], o que é compreensível, pois, a teoria social marxista exige não só estudo, mas, sobretudo, um engajamento para a transformação social, o que demanda posicionamento crítico e político radical. Esse não é lugar fácil e agradável.


Uma das recusas ao pensamento de Marx, na atualidade, entre nós espíritas, têm se dado ou pela questão do materialismo (aqui a palavra materialismo parece assumir mais importância do que o movimento de tentar apreender o real significado dela na teoria social marxista) ou pela crítica que Marx fez à religião, quando ele a classificando como ópio do povo. Nesse artigo trataremos apenas dessa última questão, a primeira ficará para uma próxima oportunidade. Para entender a crítica marxiana à religião em que essa frase aparece é preciso apanhar não só essa afirmativa, por isso reproduziremos o texto mais amplo:


[...] A religião é a teoria geral deste mundo, seu compêndio enciclopédico, sua lógica em forma popular, seu point d’honneur espiritualista, seu entusiasmo, sua sanção moral, seu complemento solene, sua base geral de consolação e de justificação. Ela é realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui uma realidade verdadeira. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião. A miséria constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração, assim como o espírito de estados de coisas embrutecidos. Ela é o ópio do povo. A supressão [Aufhebung] da religião como felicidade ilusória do povo é a exigência da sua felicidade real. A exigência de que abandonem as ilusões acerca de sua condição é a exigência de que abandonem uma condição que necessita de ilusões. A crítica da religião é, pois, em germe, a crítica do vale de lágrimas, cuja auréola é a religião. A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem suporte grilhões desprovidos de fantasia ou consolo, mas para que se desvencilhe deles e a flor viva e desabroche. A crítica da religião desengana o homem a fim de que um homem desenganado, que chegou à razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo, em torno de seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não gira em torno de si mesmo. Portanto, a tarefa da história, depois de desaparecido o além da verdade, é estabelecer a verdade do aquém. A tarefa imediata da filosofia, que está a serviço da história, é, depois de desmascarada a forma sagrada da autoalienação [Selbstenfremdung] humana, desmascarar a autoalienação nas suas formas não sagradas. A crítica do céu transforma-se, assim, na crítica da terra, a crítica da religião, na crítica do direito, a crítica da teologia, na crítica política (MARX, 2013, p. 151-152).

A citação é extensa, mas é necessária para tratarmos de alguns elementos importantes que pretendemos olhar um pouco mais de perto. Não se trata de uma análise ampla de quais são os objetivos de Marx nesse texto, nem tão pouco de sua metodologia. Trabalharemos essa citação apenas para atender aos objetivos desse texto.


O primeiro ponto que destacamos é que apesar de aparecer várias vezes a palavra religião, o autor não está fazendo apenas uma crítica à religião, mas o seu objetivo principal é a crítica às formas de ideologia [3] presentes na sociedade burguesa, e dentre elas a religião, pelo menos às formas de religião que se apresentaram historicamente até aquele momento. Cabe aqui uma primeira questão: O espiritismo é uma religião (no sentido tradicional e da forma como historicamente foram construídas as religiões)? Ou o espiritismo seria um meio de conexão, ou de reconexão, com o Divino, o Sagrado, o Espiritual? Não aprofundaremos o tema aqui, para tal feito sugerimos a leitura do artigo “Política e Espiritismo: perspectivas da regeneração e o difícil parto civilizatório” de Raphael Faé. Acreditamos que esse é um debate que cedo ou tarde precisaremos enfrentar, isso se quisermos superar alguns limites que nos impedem de avançar enquanto filosofia e ciência.


Relembramos, ainda, que Kardec também se posicionou contrário à alguns posicionamentos da religião de sua época, inclusive vivenciou alguns enfrentamentos diretos com a Igreja Católica. Um desses posicionamentos resultou na negação da máxima Católica que afirmava que fora da Igreja não há salvação, para afirmar que fora da caridade não há salvação. Hoje, entre os espíritas progressistas, já existe um movimento de superação dessa afirmativa por outra que melhor atende ao nosso tempo: fora da justiça social não há salvação, e quem sabe em futuro breve não cunhemos outra.


O segundo aspecto que destacaremos na citação é o duplo caráter, ou o caráter dialético, com que Marx trata da religião. Ao contrário do que o senso comum afirma, o autor não está dizendo que religião é apenas o ópio do povo, mas, sim, que ela é também o ópio do povo. Ela é e não é ao mesmo tempo [4], e essa interpretação faz toda diferença. Quando ele afirma, em uma linguagem extremamente poética, que a religião é simultaneamente expressão da miséria real e o protesto contra essa miséria, o suspiro da criatura oprimida, ele está demonstrando que a religião pode assumir uma forma ideológica, logo de opressão, como historicamente foi e é, mas também pode assumir, contraditoriamente, a forma de protesto e lutas em favor e ao lado dos oprimidos e explorados, como a história também demonstra [5]. Importante lembrar aqui que apesar de Marx e outros pensadores e militantes da tradição marxista serem ateus eles, em sua maioria, não se recusaram a lutar lado a lado dos religiosos [6], o que nos leva a pensar que talvez alguns espíritas sejam mais dogmáticos do eles supõem.


Ser opressora ou libertadora não é algo já dado de imediato ou predeterminadamente, é parte do processo de luta de classes, ou seja, é preciso disputar a religião também como um campo progressista, como campo que faz a opção e defesa da classe trabalhadora e de seus interesses. Não a disputar pode significar não só perder espaço para reacionarismo que se espraia e enraíza no campo religioso, mas também, perder a oportunidade de ganhar corações e mentes para a transformação da sociedade, contribuindo para a manutenção das formas de opressão e exploração.

O terceiro elemento se conecta diretamente com o primeiro. Quando Marx afirma que a religião é apenas o sol ilusório que gira em torno do ser social, enquanto o ser social não gira em torno de si mesmo, ele abre o caminho para analisarmos o aspecto que diz respeito à nossa relação com Deus (o Divino, o Sagrado, a Divindade), sobre a possibilidade e a necessidade de realizarmos essa conexão direta com Ele.


Esse é um pressuposto que é apresentado por Jesus, quando afirma que “quando orardes, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê um lugar oculto, recompensar-te-á” (Mateus, 6:6). Aqui Jesus está propondo algo inteiramente inovador para sua época, ele está indicando que entre cada um de nós e Deus não é necessário o Rabino, o Padre, o Pastor, o médium ou qualquer outra liderança, ou seja, que não há necessidade de instituições para intermediar nossa relação com o Sagrado [7], democratizando ao máximo nossa relação com o Divino.


Em nosso entendimento essa interpretação também foi apropriada pelo espiritismo. Esses temas estão presentes em O Livro do Espíritos, especialmente quando aborda a questão da adoração, particularmente na questão 656 que trata sobre a adoração individual. Mas, não está, em nosso ponto de vista, restrita ao Livro dos Espíritos, mas é parte de uma proposta original cujo objetivo principal é o estudo e a pesquisa.


Podemos dizer assim, que o espiritismo em sua origem, buscou essa aproximação da religião que se aproximava mais dessa relação democratizada com o Sagrado, e que se distanciava desse sol ilusório que a religião pode ser, como apontado por Marx. Entretanto, esse processo está no campo de lutas de classes (que é dinâmica e contraditória) [8], logo ainda está em disputa.


Após esses breves apontamentos, sem nenhuma pretensão de tratar integralmente da temática, ainda pode ficar a questão: Por que a interlocução científica e filosófica entre marxismo e espiritismo é importante e necessária em nosso tempo? Poderia responder de várias formas. A primeira delas seria apontar que ambos têm o mesmo objetivo final, o mesmo horizonte: transformar a sociedade. E não se trata de uma transformação qualquer, ambos almejam uma transformação substancial e radical, em que a vida (em sua totalidade), a liberdade, a justiça sejam os valores mais importantes. Se temos os mesmos objetivos por que não lutarmos juntos?


Em segundo lugar poderíamos reafirmar que se Marx sozinho não explica a nossa realidade contemporânea [9], tampouco sem ele seremos capazes de entender e transformar o real em nosso tempo. Como apontamos no início desse artigo a teoria social marxista nos ofereceu ao longo da história, e ainda oferece, categorias e mediações para entender e transformar o real. Não sem razão ainda as debatemos, questionamos, verificamos suas validades, e as reafirmamos.


Mas prefiro me valer da resposta dada por Marta Harnecker que quando questionada sobre a relação entre cristianismo e marxismo disse: “Eu sempre disse que existe algo em comum entre o cristianismo e o marxismo; e é que o cristianismo te orienta a amar as pessoas, e o marxismo te dá os instrumentos para que esse amor seja realidade; transforme as circunstâncias, transforme a sociedade, para que o amor possa ser real” [10], o que significaria dizer que o marxismo é o instrumento de luta para construção de uma sociedade em que seja possível amar de fato.

Só um movimento com disposição para amar de fato (um amor que nos conecte ao humano genérico [11]), e, justamente por isso, que tenha os pés fincados em uma ciência e uma filosofia comprometidas com a superação da exploração e opressão será capaz de contribuir para transformar a sociedade. Belchior em sua música “Alucinação” fala que amar e mudar as coisas lhe interessam mais. Nós tomamos emprestado a ideia dele para dizer que é porque amamos é que devemos lutar para transformar a sociedade (mudar as coisas), pois só assim poderemos amar por inteiro.


Mas é nelas (bocas, mãos,

sonhos, greves e denúncias)

que te vejo pulsando,

mundo novo,

ainda que em estado de soluços e esperança.

Ferreira Gullar


REFERÊNCIAS:


BATISTA, Raphael Faé. POLÍTICA E ESPIRITISMO: perspectivas da regeneração e o difícil parto civilizatório, 2020. [No prelo].

FERNANDES, Florestan. A Revolução Burguesa no Brasil: Ensaio de interpretação sociológica. 5 ed. São Paulo: Globo, 2006.

HARNECKER, Marta. Diálogo com Marta Harnecker: 45 anos do golpe no Chile e seus ensinamentos [Entrevista cedida à Vivian Fernandes]. Jornal Brasil de Fato. São Paulo: 13 de setembro de 2018. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2019/06/15/morre-aos-82-anos-a-educadora-marxista-chilena-marta-harnecker. Acesso realizado no dia 01/06/2020.

IASI, Mauro L. Ensaios sobre consciência e emancipação. São Paulo: Expressão Popular, 2007.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Herculano Pires. 66ª ed. São Paulo: Lake, 2006.

LUXEMBURGO, Rosa. O Socialismo e as Igrejas. [1905]. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1905/mes/igrejas.htm

MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. ENDERLE, Rubens; DEUS, Leonardo de (Trad.). 3ª Ed. São Paulo: Boitempo, 2013.

_______. Cadernos de Paris e Manuscritos Econômico-filosóficos de 1844 de Karl Marx. São Paulo: Expressão Popular, 2015.

MARX, Karl. ENGELS, Friedrich. A ideologia Alemã. São Paulo. Expressão Popular, 2009.

NETTO, José Paulo. Apresentação: Marx em Paris. In:____ Cadernos de Paris e Manuscritos Econômico-filosóficos de 1844 de Karl Marx. São Paulo: Expressão Popular, 2015, p. 09-181.

[1] Talvez aqui esteja o grande diferencial entre a teoria social marxista e as demais teorias. A proposta do pensamento marxista não é apenas conhecer a gênese, dinâmica e funcionamento da sociedade burguesa, mas, é de conhecer para transformar. Outras teorias podem apresentar elementos importantes para entender a organização de nossa sociedade, mas poucas se propõe a transformá-la.

[2] É preciso registrar, no entanto, que o diálogo entre o pensamento espírita e o pensamento marxista não é recente. No Brasil e na América Latina vários pesquisadores e pensadores buscaram essa interlocução, especialmente nos anos 1960. Como todo processo de construção de pensamento científico, é necessário contextualizar e submeter à crítica também essa produção, com vistas a construir um pensamento que seja capaz de responder ao nosso tempo presente. [3] Partilhamos do entendimento de que ideologia não é uma interpretação do real, mas é parte do processo em que a classe dominante, em uma sociedade de classes, utiliza de mecanismos para ocultar, naturalizar, inverter, justificar o real à seu favor (lembrando que nas formas ideológicas também podem existir uma dimensão do real) e apresentar como interesse universal os seus interesses particulares. Por isso Marx afirma que as ideias dominantes são as ideias da classe dominante. Importante ressaltar ainda que concordamos com Iasi (2007, p. 20-21), quando ele afirma que a “ideologia não pode ser compreendida apenas como um conjunto de ideias que, pelos mais diferentes meios (meios de comunicação de massas, escolas, igrejas, etc.), são introduzidas na cabeça dos indivíduos. Isso levaria ao equívoco de conceber uma ação anti-ideológica como a simples troca de velhas por ‘novas’ ideias. Quando, numa sociedade de classes, uma delas detém os meios de produção, tende a deter também os meios para universalizar sua visão de mundo e suas justificativas ideológicas a respeito das relações sociais de produção que garantem sua dominação econômica [...]”. Apreender que ideologia não é apenas um conjunto de ideias nos aproxima do entendimento de que a superação da ordem burguesa requisita disputar não só as esferas da educação ou o campo das ideias, uma vez que ideologia tem base na materialidade da reprodução da vida, logo é preciso destruir as bases materiais que reproduzem a ideologia. [4] Um dos elementos fundamenteis do pensamento marxiano é a dialética, ou o materialismo dialético, ou ainda o materialismo histórico-dialético. Esse é um tema muito complexo, que certamente não cabe em uma nota de rodapé, mas podemos sinteticamente dizer que a categoria contradição é extremamente importante para compreender a dialética marxiana, que afirma que um fenômeno pode ser e não ser ao mesmo tempo. Pensando no campo religioso, que estamos observando no momento, se olharmos para determinadas organizações religiosas hoje veremos apenas reacionarismos, conservadorismo, e alguns casos roubo, pilhagem e violência. Mas, contraditoriamente, há também em nosso tempo diversas organizações religiosas que se colocam e que fazem o esforço para permanecer no campo progressista, e alguns são declaradamente de esquerda. Isso não quer dizer, contudo, relativismos, mas reconhecer as dimensões contraditórias de um mesmo fenômeno na realidade concreta. [5] Há vários exemplos das experiências históricas citamos apenas algumas para ilustrar: Ação Operária Católica; Revolta de Canudos; o movimento da Teologia da Libertação, que inclusive inspirou algumas guerrilhas na América Latina. [6] Existem diversos documentos, de vários marxistas, em que esse ponto fica evidente destacaremos aqui apenas o de Rosa Luxemburgo no texto “O socialismo e as Igrejas”, de 1905: “Todo homem pode ter aquela fé e aquelas opiniões que lhe pareçam capazes de assegurar a felicidade. Ninguém tem o direito de perseguir ou atacar a opinião religiosa particular dos outros. Isto é o que os socialistas pensam. E é por esta razão, entre outras, que os socialistas animam todo o povo a lutar contra o regime czarista, que está continuamente a violentar a consciência das pessoas, perseguindo católicos, católicos russos, judeus heréticos e livres pensadores [...]”. [7] O Pastor Henrique Vieira aprofunda essas e outras questões sobre Jesus no vídeo “Fé, Amor e Revolução”, disponível nesse link: https://www.youtube.com/watch?v=Kr5ju9XbNps. [8] Não temos condições de desenvolver a questão aqui, mas é importante ressaltar que os movimentos espiritas, seja como campo religioso, ou como organização social, não pairam acima da sociedade. Eles são parte da sociedade e como tal estão sujeitos às mesmas legalidades tendenciais que a organizam, incluindo a luta de classes. Negá-la não elimina sua existência. [9] Dentro da própria tradição marxista há diversos pesquisadoras e pesquisadores que se propuseram a pensar categorias que Marx, por questões objetivas, não pôde tratar. Na América Latina, por exemplo, há algumas escolas de pensamento que partindo do pensamento marxista buscam pensar a realidade latino-americana, com intuito de transformação radical da sociedade. [10]Entrevista reproduzida no Jornal Brasil de Fato disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2019/06/15/morre-aos-82-anos-a-educadora-marxista-chilena-marta-harnecker [11] Entendemos que a generidade, ou a essência, do ser social, ou seja aquilo que há em comum entre os seres sociais, se dá na reprodução da vida. Logo, ela não existe em abstrato, mas é na objetivação da vida (intelectual e operativamente) que nos reconheceremos como humano genérico. Ver mais em: Marx (2015).

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